terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Articular as relações entre mito e filosofia - 2º bimestre - aula nº 2

Aula nº 2 do 2º bimestre:

Articular as relações entre mito e filosofia

Existem muitas relações e aproximações entre o mito e a filosofia. É muito comum encontrarmos afirmações que a filosofia surgiu em oposição ao mito, pois seriam duas formas de conhecimento totalmente opostas entre si. Mas será que isso é verdadeiro? 

Vamos pensar e refletir melhor. Para isso, vamos pedir ajuda a um dos maiores pensadores de todos os tempos. Você já deve conhecê-lo. O nome dele é Aristóteles e veja só o que ele disse: “todos os homens, por natureza, tendem ao saber”.

Assim, podemos dizer que a busca pelo conhecimento não é tarefa exclusiva da filosofia. O ser humano possui uma inclinação pelo conhecimento. E o mito também é uma forma de conhecimento, é também uma tentativa de explicação. Podemos concluir que o mito preparou o próprio caminho da filosofia, pois as narrativas míticas são respostas as mais diversas indagações humanas. Inclusive muitos filósofos, como é o caso de Platão, utilizaram mitos como instrumentos, meios de explicação de suas ideias. É o famoso caso do mito da caverna! Será que Platão queria ensinar simplesmente um mito para os seus discípulos? Ou Platão está se utilizando de uma linguagem simbólica para transmitir suas ideias? Agora que você a percebeu a relação entre mito e filosofia, vamos prestar bastante atenção a um importante trecho que se segue sobre o mito.

“Na verdade, os mitos não são apenas narrativas sobre a origem do homem, das coisas da natureza, do mundo. Eles também falam sobre aspectos da condição humana, como o fato de ser mortal e sexuado, de viver em sociedade e de ter de trabalhar para sobreviver e da necessidade de regras de convivência... Dessa forma, são parte da história de todos os povos, por todo o planeta.”

Portanto, podemos concluir que as relações entre mito e filosofia são formas do discurso do ser humano. Formas distintas, mas não opostas entre si. A experiência filosófica se aproxima e muito da narrativa mítica, pois são tentativas de compreensão do próprio ser humano e do mundo que o circunda. Assim, tanto o mito, quanto à filosofia apresentam-se como sabedoria pela qual os seres humanos tentam garantir sua sobrevivência, estabelecer sua identidade e buscam formular o sentido de sua existência. O que seríamos sem o mito e a filosofia?!


Fonte: Currículo mínimo (Seeduc)

Identificar o discurso mítico e o filosófico - 2º bimestre - aula nº 1

Aula nº 1 do 2º bimestre:

Identificar o discurso mítico e o filosófico

Poderemos perceber que são duas maneiras com caraterísticas próprias que o ser humano desenvolveu ao longo do tempo para tentar responder as suas perguntas mais inquietantes. É importante dizer que o mito e a filosofia não apresentam uma oposição entre si. O fato de serem diferentes não significa que sejam opostos. Os principais elementos que compõem cada discurso, o mítico e o filosófico. A palavra mito, de origem grega, significa narração. Eram ensinamentos orais que eram passados de geração em geração e utilizados pelos povos antigos para tentar explicar fatos e fenômenos da natureza, as origens do mundo e do homem. Dentre os mitos mais conhecidos, temos a mitologia grega que foi uma espécie de preparação a própria filosofia, pois muitas questões levantadas pelos filósofos gregos já estavam presentes nos relatos míticos. Mas, então, como podemos identificar um discurso mítico? Podemos dizer que os mitos se utilizam de muita simbologia, personagens naturais e sobrenaturais, deuses e heróis. Todos estes componentes são misturados a fatos reais, características humanas e pessoas que realmente existiram ou não.

Podemos concluir que a linguagem mítica é simbólica, alegórica, fantasiosa. E é nesse sentido que o mito não é sinônimo de mentira, mas uma maneira muito especial que o ser humano possui de buscar o conhecimento como fazem os poetas. O mito não possui uma preocupação com o rigor lógico e argumentativo próprios da filosofia. Então, podemos afirmar que existem diferenças entre o mito e a filosofia?

A palavra filosofia, também de origem grega, significa amigo ou amante da sabedoria. E quais características que existem no discurso filosófico? Como podemos identificar um texto ou um pensamento filosófico? Identifica-se um mito porque ele utiliza símbolos, personagens e por ser uma narrativa imaginária e fantasiosa. Os filósofos, em geral, apresentam outro tipo de linguagem e não necessariamente melhor, superior ou contrário ao mito. Simplesmente podemos dizer que os discursos, mítico e filosófico, apresentam algumas diferenças. E que diferenças são essas? O discurso filosófico possui um cuidado com o rigor lógico. Os símbolos que são tão marcantes no mito não são utilizados pelos filósofos. O texto filosófico procura estabelecer conceitos e demonstrações sobre os mais variados tipos de assunto. Para o filósofo é muito importante que exista uma argumentação. A imaginação que é tão importante para os poetas e, portanto, para os mitos, não estará tão presente na linguagem de muitos filósofos. Em outras palavras, podemos dizer que o discurso mítico é mais livre, enquanto que o discurso filosófico apresenta-se mais crítico e questionador.

Fonte: Currículo mínimo (Seeduc)


segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

A Filosofia presente na nossa vida - 1º bimestre - aula nº 3

Aula nº 3 do 1º bimestre:

A filosofia presente na nossa vida:

Entendemos a origem do filosofar e de como a filosofia pode contribuir para o conhecimento e na transformação do ser humano e do mundo que o circunda, muitas vezes não damos conta que nas atitudes mais simples da vida a filosofia, em certo sentido, nos acompanha, pois ela se confunde com as nossas próprias atitudes, pensamentos e concepções que vamos formando ao longo do tempo.

É nesse sentido, que podemos falar da importância da filosofia.

“(...) mas antes de tudo, se não quisermos fracassar em nosso esforço para determinar o valor da filosofia, devemos em primeiro lugar libertar nossas mentes dos preconceitos dos que são incorretamente denominados de homens “práticos”. O homem “prático”, como esta palavra é frequentemente empregada, é alguém que reconhece apenas as necessidades materiais, que compreende que o homem deve ter alimento para o corpo, mas se esquece que é necessário procurar alimento para o espírito. Se todos os homens vivessem bem; se a pobreza e as enfermidades tivessem já sido reduzidas o máximo possível, ainda haveria muito a fazer para produzir uma sociedade verdadeiramente válida; e mesmo neste mundo os bens do espírito são pelo menos tão importantes quanto os bens materiais. É exclusivamente entre os bens do espírito que o valor da filosofia deve ser procurado; e só os que não são indiferentes a estes bens podem persuadir-se de que o estudo da filosofia não é perda de tempo.” Bertrand Russell.

O trecho acima mostra que a filosofia é útil para aquele que se propõe a pensar. E todos nós, várias vezes ao dia, temos que tomar algumas decisões, muitas vezes precisamos encontrar algum tipo de critério para seguirmos ou não certa direção. É também verdade que não conseguimos viver sozinhos e, na relação com as outras pessoas, surgem acordos, esperanças, mas também conflitos, dúvidas, incertezas e outras consequências que geram sentimentos e desejos os mais diversos possíveis. E naturalmente pensamos e refletimos sobre os acontecimentos, e muitos deles, inesperados na nossa vida!

A filosofia muito pode contribuir para lançar luzes sobre as nossas questões que vivenciamos todos os dias, o filósofo é um inquieto, um questionador. Ele não se contenta com o que chamamos de senso comum por ser um conhecimento superficial. E todos nós buscamos respostas às nossas perguntas, mas nem sempre é fácil encontrá-las. Mas não é esse o sentido da filosofia: uma constante busca?!

Fonte: Currículo mínimo (Seeduc)


A Filosofia como possibilidade de transformação - 1º bimestre - aula nº 2

Aula nº 2 do 1º bimestre:

A filosofia como possibilidade de transformação:

Quem faz a filosofia é o próprio ser humano. A filosofia é, pois, reflexo das indagações e inquietações daquele que se permite pensar e questionar-se.

Portanto, quem filosofa está aberto, de alguma forma, para o conhecimento de si mesmo, havendo, assim, a possibilidade do conhecimento do ser humano. E, será que se conhecendo, o ser humano pode transformar o mundo em que vivemos?! Se positiva a resposta, em que sentido pode ocorrer tal transformação?

Um filósofo fundamental ao estudo da Filosofia, Sócrates e é considerado um dos mais importantes pensadores. O pensamento do Sócrates é bastante simples! Ele desenvolveu um método, um caminho, por assim dizer, de fazer filosofia. Era o método de fazer perguntas. Repare que essa é uma importante característica da filosofia: apresentar as perguntas como ponto de partida para os debates.

“Só sei que nada sei, e o fato de saber isso, me coloca em vantagem sobre aqueles que acham que sabem alguma coisa.” Sócrates.

Com esse método, chamado maiêutica, de origem grega, que significa “dar à luz”, ou “parto das ideias”, Sócrates inovou e incomodou muitas pessoas como os sofistas e algumas autoridades que não aceitaram a sua forma livre, criativa e descontraída de fazer filosofia. 

Sócrates não estava preocupado em agradar às autoridades, nem mesmo demonstrar um saber ilusório diante das pessoas. Ele fez da sua vida uma busca pela sabedoria, atitude essa verdadeiramente filosófica.


Fonte: Currículo mínimo (Seeduc)

A Origem do Filosofar - 1º bimestre - aula nº 1

Aula nº 1 do 1º bimestre:

A origem do filosofar:

A filosofia e também o filosofar surgem a partir do momento que o ser humano coloca uma indagação, um questionamento.

“Os homens começaram a filosofar, agora como na origem, por causa da admiração, na medida em que, inicialmente, ficavam perplexos diante das dificuldades mais simples; em seguida, progredindo pouco a pouco, chegaram a enfrentar problemas sempre maiores, por exemplo, os problemas relativos aos fenômenos da lua e aos do sol e dos astros, ou os problemas relativos à geração de todo o universo. Ora, quem experimenta uma sensação de dúvida e de admiração reconhece que não sabe. (...).” Aristóteles.

Podemos dizer, portanto, que a filosofia é própria do ser humano que possui a capacidade de pensar e, pensando, se questiona e se admira com os fatos da vida.

Interessante também notar que a filosofia é uma palavra de origem grega. Ela é constituída pela reunião de duas outras palavras gregas: “philia” e “sophia”. O termo grego “philia” pode ser traduzido por “amizade”, “afeição”, “amor”. Já o termo “sophia” costuma ser traduzido por “sabedoria”.

É importante dizer que não existe uma única filosofia, mas sim filosofias, pois a multiplicidade de pensamento formou o que nós chamamos de tradição filosófica ocidental. 

A filosofia é como uma viagem ao desconhecido.

Fonte: Currículo mínimo (Seeduc)